Em certo momento de minha vida profissional saí do segmento de Bebidas e aderi ao Metalúrgico obtendo uma vaga de Analista de RH em uma multinacional italiana fabricante de peças para tratores.

Muita coisa era nova para mim, ia de Atibaia a Sao Paulo de ônibus, todas as manhãs uma correria enorme, mas a convivência que tive com o Gerente de RH sr. Wagner Tadeu foi marcante demais.

Todas as manhãs mas TODAS as manhãs ele chegava no Departamento assobiando e cantarolando, podia estar uma tempestade lá fora, um clima pesado na empresa mas o estado de humor do Wagner era inabalável.

Das manias, me irritava a de ligar o ar condicionado mesmo com as manhãs não muito quentes, outra era a de cantarolando se sentar em frente a estação de trabalho e ligar o som com Iron Maiden. Todas as manhãs …..

Em minha primeira semana como tínhamos muito trabalho e eu dependia de ônibus e horário para ir para Atibaia, costumava sair apressado deixando a mesa desarrumada. No dia seguinte encontrava tudo impecavelmente organizado, por uns 3 dias cheguei a pensar que houvesse alguem da Faxina que fizesse isso para a gente, mas no 4. dia, intrigado, perguntei ao colega analista Marcelo quem é que organizava minha bagunça. Ele riu e falando baixo apontou para a mesa do Wagner, disse: “ele que tem feito isso, mas olha, ele nao vai fazer isso a vida toda” – mensagem captada, percebi que era um “toque” muito sutil que ele nos dava no sentido de querer as coisas organizadas, passei a arrumar minha mesa a partir de então, porque pensava “imagina um Gerente de RH de multinacional perdendo tempo precioso arrumando a bagunça de um  subordinado!”