Por que os testes psicológicos se tornaram os ‘queridinhos’ do RH?

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Foto por Alex Green em Pexels.com

Em meio às estratégias das empresas para tornar seu processo de recrutamento mais ágil e assertivo, os testes psicológicos conquistaram de vez o seu ‘lugar ao sol’.

GIF Sertec_JackelyneB_300x300Os testes psicológicos servem para analisar os aspectos da personalidade, investigar alguns sintomas e mapear diversos fatores do indivíduo. São ferramentas de alta confiabilidade, objetividade e precisão, que são usadas na Psicometria – parte da Psicologia que estuda as características psicológicas dos indivíduos, com o principal objetivo de transformar as variáveis psicológicas em algo mensurável. A psicometria permite que os psicólogos trabalhem com informações mais precisas, facilitando os diagnósticos e otimizando a realização das atividades desse profissional.

Na Vetor Editora, por exemplo, que conta com a plataforma VOL Vetor Online, as avaliações mais procuradas pelo RH são a de personalidade, utilizada para entender melhor os perfis dos candidatos, que teve um aumento de aplicação de mais de 170%; o de atenção, que avalia a capacidade do indivíduo de manter a atenção em uma determinada rotina e trabalho, que contou com mais de 100% de crescimento; e inteligência, utilizado em alguns cargos que necessitam de melhor raciocínio lógico. Este último também teve aumento de cerca de 100% de procura, e todos os números são de maio de 2021, comparado com o mesmo período de 2020.

“A pandemia nos abriu mais uma oportunidade, que é poder contribuir com meios científicos para possibilitar contratações mais assertivas às empresas, além disso, os testes da Vetor podem mostrar para os contratantes aqueles perfis que mais se adequam às missões e valores da empresa mesmo com processos à distância”, explica o CEO da empresa, Ricardo Mattos.

O mercado de avaliações e testes psicológicos viu crescer, também, a procura por ferramentas que auxiliem na medição de soft skills, as chamadas habilidades comportamentais. Opções para identificar o nível de resiliência dos candidatos estão em alta. “Ouvimos falar muito de resiliência, e hoje em dia nós vemos que isso é mais importante do que aptidões para a vaga, já que essas são competências que não se ensinam, mas que se tem ou não”, comenta o executivo.

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Amados pelo RH, não tão queridos assim pelos candidatos

De acordo com a psicóloga Vanessa Gebrim, especialista em Psicologia Clínica pela PUC de SP, os testes podem detectar vários fatores como o nível de ansiedade da pessoa, o grau de depressão e desesperança, nível de estresse, e também investigar a personalidade do indivíduo. “Há outros que atuam para avaliar o nível de concentração, memória, o QI (Quociente  de inteligência) e existem também testes para avaliar se há algum sintoma de déficit de atenção, para conhecer as habilidades sociais, investigar o relacionamento conjugal, ter uma noção de como uma pessoa administra seu tempo no ambiente de trabalho, como a criança vê o mundo, ou seja, há uma infinidade de opções para ajudar em vários objetivos”, explica.

Porém, por mais que a efetividade dos testes seja nítida para psicólogos e recrutadores, nem sempre o candidato tem a percepção de que a avaliação é um fator que possa contribuir para ele. Pelo contrário. Hoje atuando com psicologia escolar, a psicóloga Bárbara Lima, que tem experiência de mais de 10 anos em recrutamento, pontua que muitas vezes o desinteresse ou incômodo do candidato em relação ao teste ocorre por diversos motivos.

“É muito comum que o candidato não tenha a compreensão do porquê ser necessário fazer, durante um processo seletivo, avaliações psicológicas. O teste paleográfico, por exemplo, pode contribuir para identificar o tipo de temperamento do indivíduo e também prever sua potencial produtividade. Contudo, ao fazer as linhas verticais, a pessoa não entende a razão daquele teste e acaba não o encarando com a seriedade devida, pois muitos recrutadores não dão a luz de explicar por que é necessário. O mesmo vale para testes de personalidade e até mesmo de conhecimentos, pois o candidato crê que seu esforço de ‘se vender’ deve ser todo voltado à entrevista e não ao resto”, explica.

Bárbara acrescenta que no recrutamento digital, a atenção deve ser redobrada para que os candidatos não se prejudiquem. “Algumas ferramentas simplesmente pedem para o concorrente da vaga realizar um teste, mas não mostra qualquer justificativa. Isso pode causar desinteresse de pessoas que ou fazem o teste o mais rápido possível, sem demonstrar sinceridade na resposta, ou desanimam por acreditar que sequer terão a chance de chegar à entrevista. É muito importante levar qualquer teste ou pergunta a sério, pois eles não estão no processo seletivo para fazer número, mas sim por existir um propósito real. A partir do momento que você leva três ou 30 minutos para responder, você já está sendo avaliado”.

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Autoconhecimento pessoal e profissional

O autoconhecimento é uma das skills mais importantes para qualquer pessoa, tanto no aspecto profissional quanto, principalmente, no pessoal. De acordo com especialistas, indivíduos que buscam o autoconhecimento são menos propensos a enfrentar problemas psicológicos. E neste sentido, os testes são eficazes para auxiliar quem busca se conhecer melhor – e também para quem procura por tratamento com um psicólogo.

Para quem deseja realizar um teste psicológico, a melhor alternativa é procurar um psicólogo. “O profissional tem todo o conhecimento e treino para fazer a avaliação de forma confiável e segura. É necessário todo um aprendizado para a correção dos testes de forma correta. O teste psicológico se aplica quando o psicólogo avalia como necessário dentro do contexto que o paciente traz. Por exemplo, para um paciente que vem com sintomas de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) existem testes que ajudam na investigação desses sintomas. Se uma pessoa quer fazer uma orientação profissional, existem testes específicos para essa situação. Tudo vai depender de cada caso”, salienta Vanessa.

total-grupo-gif-180x180A psicóloga esclarece também que há muitos mitos que envolvem os testes em questão, sendo os mais comuns aqueles que remetem a avaliações casuais como qualquer outra do dia a dia. Porém, ela destaca que por trás de cada um é necessário método, estudo, amostras para que eles sejam validados e não podem ser aplicados por pessoas que não são aptas para trabalhar com eles, especialmente por ser necessário ter assertividade no manuseio das informações e o cuidado para não limitar o paciente ou candidato às respostas.

“É importante lembrar que o teste é uma ferramenta auxiliar e não pode ser utilizado para rotular o indivíduo. A ideia é complementar as informações fornecidas pela ferramenta com o que é observado no atendimento. Assim, o teste pode realmente contribuir a curto prazo com boas informações”, conclui a psicóloga.

Por Bruno Piai

Fonte: Rh pra Você

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