Atenção profissionais de RH: os seus desafios continuam em 2021

Foto por Edmond Dantu00e8s em Pexels.com

Uma das áreas que mais colocou em prática a resiliência, a adaptação e a reinvenção durante a pandemia foi a área de Recursos Humanos. O desafio começou com o controle de custos e as estratégias com relação aos eventuais cortes no quadro de colaboradores, com o cuidado de que as ações fossem realizadas da forma mais humanizada possível e com o menor impacto à reputação da organização. Depois, veio a necessidade de rápido entendimento e gestão das medidas provisórias anunciadas pelo Governo, com relação aos acordos de trabalho.

Não podemos esquecer – é claro – das adequações do tão falado e praticado home office, que além do controle de produtividade à distância também trouxe à tona o tema gestão remota. Paralelamente a tudo isso, ainda existem os cuidados com a saúde física e emocional dos colaboradores. Alguns profissionais foram infectados pelo  Covid-19, outros se abalaram pela perda de pessoas queridas para o vírus. Há também o caso daqueles que têm enfrentado a quarentena sozinhos e sofrem com essa situação. Também existem os que têm passado por períodos de estresse por dividirem o espaço de trabalho com outros membros da família, incluindo as crianças que também levaram um pedaço da escola para dentro de casa.

Não tem sido fácil, mas tenho visto exemplos inspiradores de boas práticas nesse turbilhão de acontecimentos. Porém, eu preciso contar algo aos profissionais de RH: de acordo com dados do Guia Salarial da Robert Half e de muito do que eu tenho ouvido do mercado, esse protagonismo da área dentro da empresa deve continuar em 2021. Pensando nisso, destaco três pontos para reflexão:

1. A disputa por talentos tende a aumentar

O principal desafio no período de retomada será o de atrair e reter talentos. Isso acontece porque, em tese, todos os profissionais cujas funções são elegíveis ao home office estão no radar de empresas de qualquer lugar do mundo. Afinal, agora ficou provado que, com estrutura e bons acordos, um colaborador pode contribuir para os resultados do negócio dentro ou fora da empresa. Dessa forma, é preciso estruturar processos estratégicos e enxutos, porém completos, para não correr o risco de perder um profissional  para a concorrência.

2. O pacote de benefícios precisa ser revisto

Com a tendência de estabilidade da remuneração, as empresas precisam ser atrativas com relação ao pacote de benefícios. Mais do que nunca, a assistência médica está bastante valorizada. Auxílio estudo, notebook e ajuda financeira financeira para montar o home office são novidades muito valorizadas durante a pandemia e que devem se manter no período de retomada. Por outro lado, estacionamento e vale-transporte ficaram de fora da lista dos benefícios mais citados. Vale destacar que, de acordo com dados do Guia Salarial, 71% dos profissionais consideram o pacote de benefícios antes de aceitar uma proposta de trabalho.

3. Home office deixa de ser benefício

Grande parte dos colaboradores entrevistados para a composição do Guia Salarial (80%) afirmou que não veem mais o home office como um benefício, mas sim como um novo modelo de trabalho. Entre os empregadores que apoiam o trabalho remoto, a percepção é de que as pessoas devem trabalhar de onde se sentem mais produtivas; essa flexibilidade vai aumentar a motivação e lealdade do time; e a experiência com o trabalho remoto na pandemia foi boa. O desafio será entender qual será a realidade do home office quando todos retomarem a liberdade de ir e vir. Como ficarão os treinamentos à distância? Quais são as perdas diante da escassez da troca de conhecimentos proporcionadas pelos encontros presenciais? Como fazer com que a cultura organizacional se solidifique?

Diversos paradigmas foram quebrados durante a pandemia, e muitos legados vão surgir. Para os profissionais da área de Recursos Humanos, fica o desafio de engajar colaboradores de todos os níveis hierárquicos nesse novo momento, fazendo a equipe refletir sobre essa nova normalidade. Tudo com muita humanização.

Fernando Mantovani é diretor geral da Robert Half

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